quarta-feira, 6 de maio de 2009

Calma (4:33)

(...)
E era um silêncio delicioso, reverberava no concreto,no asfalto quente da madrugada curta,
era pleno como uma daquelas manhãs em que o sol acorda num amarelo-pós-cortejo
[Mas era madrugada.]
um contraste entre os letreiros alienígenas que perdiam o destaque para o tão esperado silêncio.

Só.

A rodoviária envolta na mística da noite pensante, paradoxal densa fluida calma final

Real?

Me pergunto até agora, mas o silêncio que ficou...

que ficou...que ficou
que ficou...que ficou
que ficou...que ficou...que ficou...que ficou...
que ficou...que ficou...que ficou...que ficou...
que ficou...que ficou...que ficou...que ficou...que ficou...que ficou...
que ficou...que ficou...que ficou...que fi...que... ficou

"
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Noite sem fim?

Sonhei com a noite.
Ela tinha uma casa enorme, com estacionamento digno de uma dessas festas enormes que acontecem por aí.
Era uma tarde tarde chuvosa, nublada e carente.
Mas eu? eu não valia nada.
Só havia a Noite, a falta e um belo plano de ação feminino.

Azar o meu.

sábado, 2 de maio de 2009

Violão/Vida

Pat Metheny - One quiet night
Ney Matogrosso/Raphael Rabello - À flor da pele
Michel Camilo/Tomatito - Spain again

hEAVEN/hELL

Não sei ser adulto.

Prova disso é a capacidade subdesenvolvida por mim de saber me colocar limites nas coisas: É tudo colocado num pedestal momentâneo que se ergue muitas vezes acima de mim mesmo. TUDO ao mesmo tempo, e o nada também, por consequência.
É um turbilhão de paixõesopçõesdecisõesobrigações , correrias, finais, destilados fermentados, começos, arranjosdesarranjosacordeserrados, gritos, unhas roídas. Tudo isso se dissolve em questão de meses, aí aparece outra sombra de inquietude pra me consumir de novo quando ainda nem entendi o que fechou ou abril[sim] sem tempo pra sentir saudade ou retornos.

Lógico, o sarcasmo sempre prevalece.

Será que eu sobrevivo até os 30?

domingo, 26 de abril de 2009

O que há

"O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço..."

Álvaro de Campos

sexta-feira, 10 de abril de 2009

10 sinceros minutos

3:26

Ela já gozou três vezes quando ele então finalmente chegou lá,
mordendo o seu pescoço e tremendo nas bases. Esgotado, desaba
em cima dela um resto só em suor ofegante, depois disso resta
uma cama molhada e o cheiro do outro disperso em tudotudotudotudo
o que resta do que já foi integridade e indivíduo.
Ele rola para o lado oposto da cama, desacelerando ruidoso
afirmativamente viril irradiante. Lindo! E como! Ela sorri e lembra
que até dois meses atrás eles eram completos estranhos de alguma forma
atraídos um pelo outro de uma maneira quase natural quase destinados
à isso quase apaixonados à primeira vista, e agora era a madrugada embalada
com sexo intenso. risadas afetadas. álcool. muito muito cigarro.
Noites quentes de janeiro, ela esquece dos problemas a data o horário,
ela esquece a cidade grande paixões frustradas mãe pai irmãos que não conheceu
professores semiótica schopenhauer e nietzche e o emprego que não aparecia
e a propagação da luz pelo meio. de repente tudo virou nomes e ele era único.
Lindo! rindo por nada com os olhos nos dela, de um castanho profundo-profundo
preto esverdeado reluzente, ele é azul, um menino furta-cor de sorriso imenso
extensão desejo cabelos encaracolados e pêlos no peito. ele é um banquete de
falsas porém lindas promessas.
Ela nem se pergunta o que se passa na cabeça dele agora.

3:32

"Liga o rádio aí"
Um solo de sax brega até dizer chega invade o quarto, desnecessário, ele ri
faz um comentário acerca de e desliga-o. "Vem pra cá". ele ri mais alto
. moleque fazendo arte. olhos nos olhos de ponta cabeça e ele aproxima a boca
lento. a barba roça no nariz dela. o beijo derrete ao passo que as bocas
se encaixam e se consomem. uma mordida no lábio inferior dele. ela percebe
que ele se arrepia e dá uma risada em resposta.

3:35

Lado a lado novamente. olhos nos olhos. não contido ele olha daquele jeito que
ela vem percebendo na última semana. está apaixonado. ela sorri de canto da boca
comedida e já achando meio chata essa coisa de olhar no olho meio aborrecida
com a madrugada e a cama e a mãe e o pai e os irmãos que não conheceu e
o corinthians e a semiótica e schopenhauer e a faculdade e o emprego que
talvez seja melhor nem aparecer e o curso de francês que ela não levou pra
frente e aquele cara imbecil que ela pegou na semana retrasada que beijava mal.
Ele ri alto, desvia o olhar pro teto se perguntando o que se passa na cabeça dela.

3:37

Mas sim, por 10 sinceros minutos ele foi o homem da vida dela.

Ela vira pro lado e dorme.

"All the lonely people, where do they all belong?"

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Feliz

Termina aqui
Essa história
De insignificar
Fica acordado
Por hora.