domingo, 6 de novembro de 2011

Capital.

Ela sempre dizia que gostava de mim por não ser um daqueles homens produzidos em série.

Foi então que eu soube: Meu pau é manufaturado

(E nem por isso deixa de sonhar em uma linha de sexo fordista).

domingo, 30 de outubro de 2011

Perneta's lover

Pernas, pra quê? Te quero.

[Homenagem à J. Paulo Paes]

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Via Aérea

"Meu olho no topo do corpo
Espiava outra topografia
Lá do alto do meu pensamento
Era a alma que tudo asistia
Assistia ao balé do momento
Que jamais outro captaria
Um balé pleno de movimento
Sem o peso da coreografia.

E o balé todo não corpulento
No entanto dizia e vivia
E falava uma língua de vento
E mostrava ao que vinha e viria.
O meu olho no cume e no centro
Inventava uma nova alegria.

Alegria de ver não se vendo
Não vendendo ou comprando a matéria
Que o balé ia lento rompendo
Numa bela expressão via aérea
Do que o olho ao olhar ia sendo
Sem saber que era coisa tão séria
Um balé feito do sentimento
De quem tem a visão sempre etérea."

- Chico Saraiva/Mauro Aguiar

sábado, 1 de outubro de 2011

Um tom

Nossas dissonâncias soavam quentes nas noites sem sono sobre camas desproporcionais às nossas intensidades. paralelismos tão potentes que acordavam a vizinhança ansiosa pelas madrugadas tristes, sérias consequências de dias após dias de coletivos malcheirosos e anônimos numa selva concreta. a cidade esmagava a humanidade inteira em algumas semanas no tempo em que você me enlaçava como se fossemos mais do que carne e ossos. você era essa maré de brutalidade natural me talhando o corpo. me fervendo a alma.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Low profile

Entremeios, o óbvio tem seu valor.
Charme é outra coisa
Exige investigação
Charme é o sorriso
Da imaginação.

domingo, 28 de agosto de 2011

"Na véspera de não partir nunca
Ao menos não há que arrumar malas
Nem que fazer planos em papel,
Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,
Para o partir ainda livre do dia seguinte.
Não há que fazer nada
Na véspera de não partir nunca.
Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!
Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros
Por isto tudo, ter pensado o tudo
É o ter chegado deliberadamente a nada.
Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,
Como uma oportunidade virada do avesso.
Há quantas vezes vivo
A vida vegetativa do pensamento!
Todos os dias sine linea
Sossego, sim, sossego...
Grande tranqüilidade...
Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!
Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!
Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita!
É a véspera de não partir nunca!"

-Álvaro de Campos

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cidade

Em detrimento do efêmero
A cidade assassina
o firmamento
Preenchendo com concreto o horizonte
(Qualquer canto é maior do que a vida de qualquer pessoa)
A casca das árvores
Tudo decomposto em estruturas sobretudo
frágeis
De cabos
e ângulos
Para quando a noite chegar
o vazio aparentar
preenchimento
Nas estrelas,
interruptoras