terça-feira, 25 de maio de 2010

Aula de ritmo














"Aprende o refrão de um coco bruto, abre a garganta e sai uma gostosura: simples, sem máscara, sem artifícios. Aí, então, todo mundo gosta".

-Jackson do Pandeiro

domingo, 16 de maio de 2010

Ruínas

Até o céu congestionou
Nem resto de estrela
Nem sombra de calma
Nada mais se lembra...

A noite se insilencia
A rua é um fardo
Caminhamos, comprimidos
Refletimos uns contra os outros
[somos muitos...]

E pelos cantos, encardidos
Um gosto da derrota
Restos do que não foi
Resto em distâncias.

Do vazio

"Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo"

"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."

"Já li tudo,cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acumpuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?"

C.F. Abreu

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os ombros suportam o mundo

"Chega um tempo em que não se diz mais: Meu deus.
Tempo de abslouta depuração.
Tempo em que não se diz mais: Meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais do que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."

-C. Drummond de Andrade

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cárcere voluntário ou Tamara ou 2+1=0

Ao menos restavam as pequenas coisas minhas pra preocupar
Uma multa, uma conta, um atraso qualquer

Aí você chegou às juras e pontapés
Cheio de beijos e possibilidades e
Promessas de histórias pra contar

Trancou-se tudo por fora
Vedaram-se as janelas

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Que nem manequim

"Ando falando sozinho
Fingindo que é verdade
Que te encontro mais tarde

Ando ouvindo calado
Esse som do passado
E uma angústia me invade

Ando vagando, pensando demais
Já não tenho vontade
Não bebo, não fumo
Não como, não durmo
Não sei o que faço
Com essa saudade

Ando com os olhos distantes
Ausente de tudo, que nem manequim
Ando sem brilho de vida
Ando perdido de mim"

-Guinga e M. Tapajós

http://www.youtube.com/watch?v=Fxn6iYWpknk

domingo, 4 de abril de 2010

Moça do sonho

Quando o objeto de desejo não é palpável, o buraco é mais embaixo.